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Das loucuras que trago




Não quero abrir os olhos para mais um dia com esse sol escaldante entrando pela janela, acho desnecessário ter tanta vida nessa estrela logo pela manhã. Esse raio de sol que te toca parece que quer fazer parte de ti e penso; que nada além de mim pode fazer parte de ti. Não vamos discutir sobre o meu pensamento egoísta e sobre esse amor possessivo que sinto. Mas é que, você nunca parou para pensar que qualquer fresta aberta no coração é um convite para preenchimento? Não posso deixar nenhum espaço vazio. Quero te preencher por inteiro. Na verdade quero está dentro de ti, me guardas no lugar mais bonito que tens, guarda minha boca e as loucuras que faço nos lugares mais arejados que existe em você. Não quero ser apenas uma lembrança bonita,  não quero que me lembres quando olhar para uma garrafa de coca-cola fechada com canudo dentro. Olha, que lindo! Teus olhos abrindo e brilhando, você sim é necessário, daquelas pessoas que não deixam de brilhar em nenhum momento. Teu olhar carrega estrelas, ternura e pequenas gotas de prazer. Você trás tanta felicidade parece que sempre ta feliz, que sempre ta bem e eu sempre fico feliz quando estou com você, sempre fico bem. Tua presença preenche meu quarto e meu peito. E quero que saibas disso, agora, nessa manhã cheia de vida.



Thayssa
@thayssacastro


Vida 2.0

Parte I



Mariana parou diante da porta, deixou a mala  no chão e virou-se. Viu sua mãe em lágrimas diante dela, desviou o olhar e olhou para a sala, foi ali que passou vinte anos da sua vida, foi ali naquela sala que sentava com a família para discutir sobre as novelas, a escolha de roupa dos apresentadores, sobre a aparência de alguns jogadores. Sentiu saudade  apenas em pensar que não iria mais sentar no sofá florido todos os dias, agora sua vida estava mudando, ao chegar sua bolsa não seria mais jogada no chão ao lado do sofá, seus pés não iria descansar em cima da mesa de centro, sua mãe não iria mais gritar dizendo para tirar o pé da sua mesa, um presente de casamento. Voltou-se o olhar para a sua mãe e sorriu. Viu naquela mulher a esperança que precisava. Sua mãe sempre esteve do lado dela. Ela, Amália,  era uma mulher de 1,60 de altura que tinha o coração tão nobre do que qualquer nobre que existia. Cabelos curtos e encaracolados. Sorriso tímido, olhos pequenos. Mariana nunca contou, mas sonhou diversas vezes com a mãe, e nos sonhos sua mãe era um anjo.

- Mãe, não chore. Senão não irei conseguir dá mais um passo adiante.


- Me deixa Mariana. Deixa-me chorar todas as lágrimas em mim contidas. Você não sabe como dói perder uma filha.


- Perder? Vou está à uma hora de distancia de você. Mãe, sempre vou ser sua filha e me mudar não significa que irá me perder.


- Promete me ligar?


- Prometo.


- Promete se alimentar?


- Prometo. (Risos)


- Se quiser posso ir te visitar todo dia.


- Mãe, não precisa. Quando sentir saudade basta me ligar. - Mariana deu um abraço apertado na sua mãe, foi interrompida por seu pai.


- Amália, você vai deixar a Mariana roxa, para de chorar mulher! - Abaixou-se pegando a mala do chão de um lado da mão e do outro puxou Mariana dos braços da Mãe.

- Vamos minha filha, o táxi está esperando e pior contado cada centavinho.


- Vamos Pai. - Mariana distanciou-se segurando a mão de seu pai até chegar à porta do táxi, deu um forte abraço no seu pai.


- Pai, cuida bem da Mãe. Amo vocês.


Seu pai sorriu, foi para trás do carro colocou a última mala na porta malas e fechou. Mariana sentou no bando de trás do táxi e fechou a porta, olhou para trás e viu seu pai dá tchau, sua mãe ainda estava imóvel chorando na porta. Mariana acenou com a mão quando o táxi começou a movimenta-se. Deu um grande suspiro, fechou os olhos e fez sua prece "que dê tudo certo na minha nova vida."


 Thayssa



Beijo Matinal



"Em um impulso acordei, saltei da cama, abri a janela. O dia ali estava parado, o sol forte, pessoas indo e vindo e tantos outros barulhos. Com a cara inchada virei para a cama e lá estava todas as fotografias, cartas, livros, objetos, cadernos, agendas, celular, ursos de pelúcia, coisas de todo dia espalhadas pela cama, pelo quarto, pela casa. Levei um tempo para assimilar o que estava acontecendo, sentei na cama e peguei um chaveiro em forma de prancha de surf e ao olhar fixamente para o chaveiro, comecei a lembrar da noite passada. Gritos, choros, barulhos e você indo embora enfurecido batendo a porta. Um desesperou tomou conta de mim na mesma hora, corri até a sala e  não te vi, fui na cozinha e nada, voltei pro quarto, procurei no banheiro, te chamei. Fui para a varanda e no caminho tropecei no tapete enrolado, olhei pro chão com uma vontade de chamar um palavrão mas ao invés disso puder ver um bilhete caído,  abaixei e peguei e estava escrito "Amor, sei que erramos mas eu te desculpo, me desculpa também ? Fui comprar pão. Acho que depois de uma noite agitada dessas precisamos recarregar as energias. Eu te amo". Na mesma hora ouço a porta abrir, viro e te vejo entrando dentro de casa, dizendo bom dia com uma sacola de pão quentinho, sorridente. Corri, sentindo um alivio no peito e entre beijos e lagrimas desculpei todo e qualquer besteira dita a noite passada."


Thayssa Castro.

Amor e ponto

Parte I


Sentada no sofá da sala de casa, vestida com um blusão antigo que meu pai me deu para dormir, de meias coloridas, de cabelos presos e com os meus óculos de grau, pressionando uma almofada contra o peito, com a esperança que ela calasse os gritos de um coração solitário, com o controle na mão trocando desesperadamente os canais, para ver se encontrava o programa que iria me distrair e que fizesse com que o tédio sumisse dali. De repente escuto o meu celular tocar 'you talk way too much' dos Strokes, meu toque de celular de uma música que não é preferida mais que foi trilha sonora de algumas lagrimas e de vários sorrisos. E naquele visor, estreito, brilhante, um nome: 'Danilo' larguei a almofada, e suspirei fundo, na cabeça pensava comigo mesmo, fica calma e não estraga nada, por favor! 

- Alô, respondi. 

Oi Carol, tudo bem? Pensei-que-você-não -iria-atender-a-minha-ligação. Falou assim, sem respirar como se não estivesse mais tempo ou créditos. 

- Oi Danilo, eu estou bem. Por que não atenderia você? Foi o que saiu, mas na verdade o que se passava dentro de mim, eram tantas e tantas palavras, palavrões. Ele me enganou, mentiu, fingiu... Passamos 5 meses juntos, ele dês do começo fez questão de falar que não queria nada serio e eu fingi que também não queria, e na verdade logo no começo não queria, até me apaixonar pelo o seu olhar, pelo o seu sorriso, por ele todo. Mas continuei jogando aquele joguinho dele... Dormimos varias vezes juntos, passeávamos sempre, juntos. Ele me mandava umas 5 mensagens nos intervalos das ligações, dizia que me adorava, adorava o meu jeito, o meu quarto, o meu beijo, o meu abraço, e pra que tudo isso... ? 



Não sei Carol, você parece que ficou bastante chateada a noite passada... Desculpa Carol, balbuciou baixinho... 

- Chateada eu? Como poderia DANILO? Só porque descobri que você está namorando há 2 meses e não me contou nada ...Imagina!! 

- Um suspiro seguido de um silencio - Desculpa Carol, você é especial para mim, quando estamos juntos é tão bom, você é adorável, adoro quando você recita os poemas do Neruda para mim, o teu sorriso, eu juro que com você é diferente... Eu sou um idiota, eu apenas deixei com que tudo acontecesse e não me preocupei com o que poderia acontecer não me preocupei com as consequências, você também deixava claro que estava bom do jeito que as coisas sucediam, eu tive medo, sabia? 

- Medo? Medo de que? Na cabeça milhares de pensamentos... Ele estava tentando me confundir, mentir mais uma vez? Já não sabia há dias o que sentiam, ainda mais naquele momento, felicidade, raiva... Juro que to com vontade de dá um soco na cara dele e depois quem sabe um beijo..... 

Sim, medo. Você dizia que não queria ninguém além de você mesmo na sua vida, que estava bem com você o tempo todo, e então eu continuava me defendendo desse sentimento. Pedi a Láis em namoro para não me apaixonar, por que sei que você iria me fazer sofrer, por que sei que você não iria aceitar o meu sentimento por você. Você é confusa, parece que gostava de mim e entrando fugia de qualquer sentimento. 

- Danilo, você lembra a primeira vez que a gente ficou? 

Sim, eu lembro. 

- Então... Você fez questão de dizer que não queria nada serio com ninguém... E continuo dizendo isso os meses seguintes... Eu me defendo sim, de tantas coisas, ainda mais de sentimentos que me farão sofrer, disse que não o queria, mas o desejei dês da nossa primeira noite juntos, eu me apaixonei sim por você, mas me mantive calada... Erro meu. Se tivesse falado talvez a gente não tivesse tendo essa conversa... Eu só acho que é tarde para você me dizer isso... Tarde pra gente descobrir que estamos apaixonados um pelo outro, afinal tem outra pessoa envolvida. 

Carol, eu estou com saudade... 

Eu levantei e fui caminhando até a janela da sala, ao abri-la entrou um vento frio. Eu suspirei mais uma vez, tive que engoli algumas palavras do tipo ‘Você é um babaca’. E invés de dizer Adeus, vamos acabar logo isso aqui antes que a gente se machuque mais, saiu... Eu também estou com saudade... Vem me ver? Não pensei em nada mais, eu realmente o queria ali, independente da namorada cor –de-vela dele... Do outro lado da linha, ouvi um sorriso e um até logo. Coloquei o celular no bolso da camisa, e apoiei os braços na janela, respirei um ar de alivio, de tristeza... Era algum sentimento que naquela hora não importava. Resolvi não colocar culpa no coração, tentei parar de pensar, o que era muito difícil naquele momento. Aquilo era culpa minha, afinal era só mais uma noite nos braços dele... Assim vou continuar me enganando. A campainha toca, eu olho para trás, penso no qual rápido ele foi, mas lembrei que ele morava a duas quadras de casa, fechei a janela e caminhei para a porta, ao abrir o vi de costas... Ele virou lentamente, coçou a cabeça e sorriu. Eu me encostei-me à porta e disse: Um dia vou te dizer adeus. E ele apenas me beijou.



Thayssa Castro

 
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